Trabalho voluntário: Ajuda por caridade × Experiência para o mundo profissional

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A Lei do Voluntariado define trabalho voluntário como uma “atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social”.

O mundo, em constante evolução, transformou a forma de vermos e analisarmos o trabalho voluntário. Antigamente existia sempre um aspecto de caridade, de boa ação. Pensava-se no voluntário como um ser bondoso, que visava ajudar o outro sem querer nada em troca. Imaginávamos uma pessoa com um tempo disponível do seu dia, que preocupava-se em ajudar o próximo, na maioria das vezes em situação fragilizada, seja por motivo de saúde, econômico ou social.
Hoje entretanto, percebemos que o trabalho voluntário é uma via de mão dupla. O voluntário oferece à sociedade sua contribuição para a construção de um mundo melhor, com dedicação e responsabilidade. Recebe de volta a oportunidade de fazer amigos, de viver novas experiências e conhecer outras realidades. É um trabalho que possibilita o desenvolvimento de habilidades e a prática da cidadania.
Uma a cada quatro pessoas no Brasil realizam trabalho voluntário. O Brasil está entre os 10 países com maior número de voluntários; 11% dos brasileiros são voluntários.
O exemplo recente dos voluntários da Copa do Mundo, nos dá uma visão moderna do trabalho voluntário. Foram mais de 152.000 inscritos, dos quais 15.000 foram aprovados para atuar nas mais diversas frentes. As razões que motivaram essas pessoas a se inscreverem foram a oportunidade de conviver com indivíduos de diversos países, línguas e culturas, a possibilidade de enriquecer e diferenciar seu CV e a chance de conhecer os bastidores de um mundial.
Estes números refletem muito a capacidade do brasileiro de doar-se em prol de uma causa. São pessoas que agem por sua própria iniciativa ou junto a organizações não governamentais, mobilizando-se para fazer a diferença. E são estes voluntários as peças-chave para o desenvolvimento de muitos projetos.
É importante ressaltar que em todo e qualquer trabalho voluntário, existe sempre um sentimento de identificação. O voluntário cede um tempo de sua vida dedicando-se a uma causa na qual acredita e que tem para ele uma importância pessoal. Como consequência seu trabalho traz uma gratificação que, como o próprio nome diz, não tem preço!

L. Martino e P. Gratz

Entrevistamos um voluntário da Copa do Mundo FIFA! O Eduardo Gil atua na recepção e atendimento do torcedor no estádio do Maracanã e compartilhou conosco um pouco dessa experiência:

PROATIVA RH: Qual atividade você exerce como voluntário da Copa?
EDUARDO: trabalho como líder de uma equipe de STS (atendimento ao espectador) e nossas funções vão desde recepcionar o público nos portões de acesso até encaminhá-los aos seus respectivos assentos.

PROATIVA RH: Você pôde escolher qual atividade faria?
EDUARDO: Não, na ficha de inscrição podemos indicar quais o setores de nossa preferência mas a escolha é feita pelos selecionadores.

PROATIVA RH: Como foi o processo seletivo?
EDUARDO: Basicamente uma dinâmica de grupo e dois treinamentos (um on-line e outro presencial).

PROATIVA RH: Como ficou sabendo das vagas?
EDUARDO: Através do site da FIFA.

PROATIVA RH: O que lhe motivou a participar do voluntariado?
EDUARDO: A oportunidade de participar diretamente de um grande evento mundial.

PROATIVA RH: O trabalho que você está exercendo corresponde às suas expectativas?
EDUARDO: Superou totalmente as minhas expectativas.

PROATIVA RH: Você acha que poderia melhorar em algo?
EDUARDO: Acredito que sim, principalmente a comunicação com os estrangeiros.

PROATIVA RH: Durante este momento em que você está vivendo, você testemunhou ou passou por algum fato interessante?
EDUARDO: O caso mais interessante que presenciei até agora aconteceu no jogo Argentina x Bósnia-Herzegovina, quando logo na abertura dos portões me deparei com um casal bósnio no meio dos torcedores argentinos. Preocupado com sua segurança consegui, mesmo sem falar inglês, conduzi-los para perto de alguns policiais militares. A situação inusitada perdurou até que avistei um casal de brasileiros na fila, expliquei a situação e eles, se fingindo passar por amigos dos bósnios os conduziram para dentro do estádio. Um clima bem diferente da confraternização de uma Copa do Mundo, mas parecida com os jogos que assistimos no campeonatos regionais e brasileiro.