Paralimpíadas, uma reflexão

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Desde a abertura das Paralimpíadas sabíamos que tudo seria diferente. Diferente no bom e no mau sentido. Vimos uma abertura espetacular, com uma sensibilidade admirável e digna de um país que sabe lutar na sua essência e que por esse motivo, identifica-se com tantas histórias de superação. Essa foi, sem dúvida, uma boa surpresa! Por outro lado, vimos logo de cara, o descaso da mídia com esse tão grande evento esportivo, ao termos que optar por assistir nos canais fechados, já que nenhuma emissora aberta teve a civilidade de transmitir.
As competições são exemplares, mas pouco divulgadas e tratadas com foco na deficiência. Dificilmente o esportista é lembrado pelos índices atingidos, mas sim pela sua história de vida, pelas dificuldades, pelas lutas diárias e pela “volta por cima” que está sempre presente na narrativa desses heróis do esporte. São histórias com final feliz, onde o ouro, a prata e o bronze vêm coroar esses atletas guerreiros, vêm mostrar ao mundo sua conquista. Sem dúvida, o esporte é um dos responsáveis por reverter o impacto da deficiência na vida de quem nasceu com ela ou a adquiriu durante a vida.
Enxergar o deficiente além da sua deficiência é um exercício que nós da Proativa, estamos acostumados a fazer, já que são profissionais que fazem parte do nosso dia a dia e que estamos habituados a avaliar por suas competências e talentos. Sempre dizemos aos nossos clientes que a “deficiência deve ser apenas um detalhe”. Mas não podemos dizer que é fácil, o ser humano tende sempre a se compadecer com essas histórias e a aplaudir as superações. Quero crer que vai chegar o dia em que conseguiremos encarar as Paralimpíadas com a mesma naturalidade, interesse e entusiasmo que assistimos e torcemos pelos atletas olímpicos.
Acredito que o Brasil conseguirá manter o 5º lugar no número de medalhas, já que era essa a expectativa dos organizadores. Parece que tudo caminha para isso. O Brasil ficará atrás apenas de 4 grandes potências mundiais e à frente de inúmeras outras que deveriam, pela sua estrutura, estarem melhor posicionadas. Vamos conseguir e devemos ter orgulho do nosso desempenho!
Resta-nos assistir ao fechamento sabendo que o Brasil cumpriu seu papel de receber de braços abertos os atletas paralímpicos, que o público soube respeitar e valorizar suas conquistas. Que façamos um belo espetáculo, à altura desses seres humanos guerreiros. Que o Brasil fique na memória de cada um deles, como o país da diversidade e do povo que é tão alegre, apesar de tudo!

Luciana Martino


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