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Qual a imagem que seu currículo transmite?

Com 16 anos de mercado, a Proativa RH atende uma gama importante de empresas nas suas necessidades por recrutamento e seleção de profissionais. Algumas destas empresas figuram entre as 10 melhores empresas para se trabalhar. Por este motivo, a equipe de Recrutamento e Seleção lida, diariamente, com centenas de currículos dos mais variados tipos, formatos e cores.

Apesar do grande número de tutoriais e modelos disponíveis atualmente, alguns destes documentos são tão alheios às melhores práticas na hora de confeccionar este resumo profissional, que decidi enumerar os 10 erros mais comuns, para então sugerir um modelo mais assertivo.

1º – Organização das informações – Todo texto, seja ele de caráter literário, acadêmico, profissional ou científico tem início, meio e fim. Apresentar um currículo com dados desordenados, fora da cronologia da sua carreira, informações exageradas, ou irrelevantes, pode demonstrar dificuldade de priorização, ou organização pessoal. O currículo mais aceito deve seguir a ordem cronológica da atual/última, para a primeira experiência profissional. Selecione as três ou quatro empresas que você mais permaneceu, ou que considera de maior aprendizagem e descarte experiências muito curtas, ou que não promoveram aprendizado.

2º – Críticas explícitas – Há certas coisas que não precisam ser documentadas. Uma delas é o motivo da saída da empresa. Coisas como: “a empresa não era ética”, “atrasavam meu salário” e “meu chefe era um horror” podem até parecer motivos suficientes para você ter se desligado da empresa, mas aos olhos do selecionador pode soar como uma dificuldade de relacionamento com pares e superiores. Reserve este tipo de informação para uma entrevista pessoal, se for questionado. Mesmo assim, escolha bem as palavras. Ao invés de “meu chefe era uma pessoa difícil”, prefira “acredito em um modelo de gestão diferente do que era praticado”. Traga para si a responsabilidade, é mais bem aceito.

3º – Período trabalhado – Essa informação é imprescindível para o avaliador e para a empresa. Não informar o período trabalhado em uma empresa dá a entender que você está escondendo algo. Hoje em dia já não adotamos mais o dia exato, mas, por favor, informe mês e ano de entrada e saída da empresa. Se você tiver uma experiência inferior a seis meses (alguns selecionadores adotam até 12 meses), considere omití-la do currículo e deixar para falar sobre este período pessoalmente, se for o caso. Também é importante informar o cargo que ocupou durante o tempo que permaneceu na empresa.

4º – Apresentação do documento – Vamos por partes, dizia Jack, o Estripador. Este tópico tem três subitens:

Ortografia – colocar a culpa em um “erro de digitação” colava quando usávamos máquinas de escrever, e redigitar todo um documento por causa de um erro no final era inviável. Hoje em dia, com a quantidade de revisores ortográficos que temos à nossa disposição, este tipo de desculpa só mostra que você subestima o selecionador tanto quanto o seu próprio currículo. Evite também estrangeirismos, abreviaturas e siglas.

Perfumaria – certa ocasião ouvi um professor de Marketing me dizer que venderia qualquer coisa, desde que a embalagem estivesse apropriada ao público alvo. O currículo é um documento formal e deve ser tratado com formalidade. Papel colorido, perfume, letras artísticas, formatos inovadores só funcionam em lendas urbanas.

Entrega – a maioria absoluta das empresas nem recebe mais currículos em papel, só em meios digitais. Apesar disso, é comum que os candidatos sejam orientados a levar uma cópia do documento em papel na hora da entrevista. Se isso ocorrer com você, seja cuidadoso. Lembre-se que seu currículo é sua apresentação profissional e que por esse motivo, entregar uma cópia amassada, suja ou rasgada pode depor contra a sua empregabilidade.

5º – Dados pessoais – Não adianta ter o melhor currículo da face da terra, uma formação exemplar e uma carreira de dar inveja no Bill Gates. Se você não disser como pode ser localizado, de nada vai adiantar. Sendo assim, informe (e mantenha atualizado) e-mail, telefone fixo e celular através dos quais possa ser localizado.

6º – Objetivo profissional – Profissionais competitivos e de sucesso sabem o que querem. Por este motivo, evite coisas como “atividade que a empresa escolher para mim”, ou “qualquer vaga que meu perfil se encaixe”. Este tipo de posicionamento mostra pouco ou nenhum controle sobre a sua carreira.

7º – Mentira – Mentir é abominável em qualquer aspecto da sua vida, ainda mais no currículo. Além potencialmente criminoso, se você disser que fala inglês e não fala, pode ser surpreendido por um teste de inglês e aí a “Inês é morta”. Sua imagem, como profissional, fica definitivamente comprometida para aquela empresa.

8º – Fotos – A não ser que você seja modelo e manequim, evite este tipo de exposição. Se você ainda assim acredita que deve incluir uma foto no seu currículo, use o bom senso e evite decotes, bonés, bermudas, em festas, etc.

9º – Extensão – Currículo não é biografia. Na hora de confeccioná-lo, resuma suas experiências e apresente dados concretos. Um currículo profissional deve ter no máximo duas páginas (até quatro no caso de posições gerenciais ou executivas).

10º – Pulverizar o currículo – Mandar o seu resumo profissional para toda a lista de contatos do seu Facebook não é a melhor forma de conseguir um novo emprego. Ao invés disto, peça aos seus contatos o e-mail e telefone da pessoa responsável pelo recrutamento e seleção da empresa em que trabalham. Não peça recomendação a menos que o profissional se ofereça para fazer isso espontaneamente.

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Guilherme Françoso é bacharel em Psicologia, especializado em Administração de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas e cursa MBA em Gestão Empresarial pela FIA-USP. Atua em Recrutamento e Seleção desde 1999 e atualmente é Gerente de Planejamento Estratégico da Proativa RH e Diretor de Inovação e Tecnologia da AAPSA. Criou e administra o grupo virtual Gestão por Competências, que conta com mais de 1800 profissionais associados, em sua maioria na área de Recursos Humanos. Ao longo de sua trajetória profissional, já foi o responsável por recrutar e selecionar profissionais de diversos níveis hierárquico para empresas como Nextel, Santander, HSBC, TIM Celular, ALCOA e muitas outras empresas.


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