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Nome sujo: Até que ponto isso atrapalha?

Terminadas as festas, é hora de retomar a carreira e, para aqueles que buscam novas oportunidades, começar a pensar em como conseguir um novo trabalho. Infelizmente, com a virada de ano nem tudo se renova. é o caso das dívidas que assombram o brasileiro.

Segundo matéria da Exame, a inadimplência do consumidor cresceu 3,5% em novembro, na comparação com outubro, o que representa a maior elevação entre os mesmos meses desde 2005.

Esta foi a sétima alta mensal consecutiva, de acordo com indicador divulgado pela Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito.

Na comparação com novembro de 2009, a inadimplência do consumidor subiu 23,2%, a maior alta entre os meses de novembro desde 2001. No acumulado de janeiro a novembro de 2010, ante o mesmo período de 2009, o indicador apresentou crescimento de 5%.

No encerramento de 2010, de acordo com a Serasa Experian, o índice de inadimplência deve ficar próximo do verificado em 2009 quando houve expansão de 5,9%.

Segundo o Serasa Experian, a inadimplência se agravou em novembro. Desde junho de 2010, a inadimplência apresentava crescimentos mensais inferiores a 1,9%.

A aceleração registrada em novembro, de acordo com a entidade, é resultado do maior endividamento, do comprometimento da renda do consumidor e do acúmulo de dívidas com as compras nas datas comemorativas do varejo.

Mas quanto o endividamento do brasileiro atrapalha realmente na hora de buscar emprego?

De acordo com advogados especialistas em Direito Trabalhista que conheço, nenhuma empresa tem respaldo legal para usar cadastros de proteção ao crédito como critério para analisar candidatos a empregos. “É uma atitude inconstitucional, inclusive, pois fere a Constituição Federal no seu artigo 5º que estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, vedando, assim, critérios discriminatórios. Vale lembrar também que o Brasil é signatário da Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da discriminação em matéria de emprego e profissão. E rejeitar um candidato só porque ele tem o nome sujo é uma forma de discriminar.” Apesar disso, não é bem assim que acontece.

Algumas empresas usam veladamente este critério para selecionar, e se apóiam, para isso, em teorias comportamentais que dizem haver uma queda significativa de produtividade quando o indivíduo está comprometido com dívidas demais.

Pessoalmente, não defendo este tipo de análise como critério de seleção, como por exemplo preterir um candidato endividado em detrimento de um outro sem dívida, mas defendo este tipo de consulta como forma de prevenir a contratação de pessoas potencialmente perigosas, tais como foragidos da lei, estelionatários, criminosos e outros tipo de pessoas que podem, potencialmente, causar danos materiais ou não, em uma empresa que inadvertidamente os contrate para seu quadro de profissionais.

Há ainda empresas onde este tipo de consulta é mais praticada e até apoiada pela CLT. É o caso de bancos e instituições financeiras. Segundo o artigo 508 da CLT, o banco poderá aplicar justa causa específica para o bancário, quando da falta contumaz de pagamento de dívidas legalmente exigíveis.

Se esta é a sua situação, então sugiro que fale abertamente para o entrevistador, antes que ele faça a consulta. É uma chance de explicar o que o levou a esta situação e, talvez, isto tenha um impacto menor na decisão do RH, já que, por envolver custo, este tipo de pesquisa é feita apenas para candidatos finalistas.

Escolher as empresas para a qual se candidata é uma ótima pedida, nestes casos. Empresas mais ortodoxas, onde a formalidade é muito grande, são mais adeptas deste tipo de consulta. Já empresas mais inovadoras são mais flexíveis neste ponto e, em alguns casos, nem realizam este tipo de pesquisa, ou dão um prazo para que o candidato regularize sua situação.

Outro aspecto importante observado é que quanto maior for a responsabilidade do cargo pleiteado, maior será a chance disso acontecer. Isso pode estar atrelado a idéia de que se o profissional não consegue administrar as próprias finanças, quiçá um departamento inteiro.


Boa sorte e um excelente 2011.

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Guilherme Françoso é bacharel em Psicologia, especializado em Administração de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas e cursa MBA em Gestão Empresarial pela FIA-USP. Atua em Recrutamento e Seleção desde 1999 e atualmente é Gerente de Planejamento Estratégico da Proativa RH e Diretor de Inovação e Tecnologia da AAPSA. Criou e administra o grupo virtual Gestão por Competências, que conta com mais de 1800 profissionais associados, em sua maioria na área de Recursos Humanos. Ao longo de sua trajetória profissional, já foi o responsável por recrutar e selecionar profissionais de diversos níveis hierárquico para empresas como Nextel, Santander, HSBC, TIM Celular, ALCOA e muitas outras empresas.

3 Responses to Nome sujo: Até que ponto isso atrapalha?

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  • Luciana says:

    Olá!

    Discriminar candidatos com base em cadastros negativos de crédito não é só perversidade, canalhice e atitude anti-ética das empresas e agências de recrutamento, é crime. É inconstitucional. É criar um estado de exceção em que o candidato é julgado e condenado sem ter sequer o direito à defesa.

    Para não dizer que se trata de uma distorção gritante desse tipo de informação: o cadastro de inadimplentes serve exclusivamente para análise de concessão de crédito para aquisição de bens e serviços. Não de análise de caráter.

    Na relação trabalhista, o empregado é credor do empregador, uma vez que trabalha primeiro e recebe depois. Então, quem tem que provar que é idôneo e capaz de honrar seus compromissos é o empregador, não o empregado! Muitas empresas que condenam os candidatos que por alguma razão têm seus nomes nos cadastros de devedores são elas mesmas devedoras de impostos. Ora, sendo os impostos a contribuição de cada membro da sociedade para o bem comum, e a empresa os sonega – ou simplesmente não os paga em dia – é muito mais perigosa, causa muito mais prejuizo para a sociedade do que um simples devedor com nome no SPC.

    O argumento dado – o de descobrir estelionatários e golpistas é outro argumento fraquíssimo. Estelionato é crime, tipificado no Código Penal Brasileiro. Para ser considerado estelionatário, é necessário que haja queixa na polícia e processo criminal. Se não há nada disso, voces não podem simplesmente “achar” que o candidato é um “potencial” estelionatário, capaz de causar danos à empresa. Ainda vivemos em um estado de direito. Aqui, o ônus da prova cabe a quem acusa.

    Eu gostaria de ver vocês, recrutadores, agirem de forma ética e responsável. Vocês não têm o direito de acusar as pessoas sem provas. E cadastro do SPC e Serasa não são atestados de idoneidade moral ou criminal. É atitude cruel e discriminatória e mostra o nível ético do RH no Brasil, que promove a atitude de chutar cachorro atropelado.

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